CRUZEIRO DO MARAMBAIA  - Veja  Aqui!!!


 

CADA UM NO SEU QUADRADO

Desde o fim da escravidão que muita gente vive sem trabalho e sem moradia. Ou seja, livre de tudo. Hoje parte dessa gente pode ser encontrada nos grandes centros e em diversos bairros do Rio de Janeiro.

SOLUÇÃO

Em época de eleição todos os candidatos têm um projeto de solução, mas depois o resultado é sempre o mesmo. Alguns governos já tentaram acabar com essa gente, e a solução encontrada foi demolir as moradias, tipo: "cabeças de porco", cortiços, oficinas de fundo de quintal, que afastam a classe menos favorecida dos centros, para uma reforma sanitária e urbana. Não deu certo, pois eles continuam vivos, sem empregos e moradias.

 

CADA UM NO SEU QUADRADO

Esse é o problema: a falta de quadrado para cada um, pois enquanto  gente usando diversos quadrados, outros não têm nenhum quadrado para morar. O pior é que as pessoas  pouco aparecem nas notícias. Não são turistas, não são famosos.  Por que iriam aparecer nas revistas?

POUCA COMIDA. E DE SOBREMESA, BALAS PERDIDAS

Alguns anos atrás este título só seria aplicado aos pobres suburbanos. Hoje todos estão sujeitos aos mesmos riscos, uma vez que o perigo está chegando aos grandes centros. Isso aconteceu por quê? Pelo afastamento dos governos das comunidades ao longo dos anos.

FILHOS SEM PAI

Com o afastamento do governo, as comunidades ficaram sem apoio, sem voz e sem orientação. Com isso, foram adotadas por outras instituições dos fora-da-lei, que agora estão custando muito caro para voltar ao controle.

ESQUECERAM DE MIM

No início havia a ilusão de que ficando longe dos pobres, não existiria perigo. Construíram vias de tudo; cavaram túneis; encurtaram distâncias; o comércio em todas as suas nuances se desenvolveu. E tudo isso só serviu para vermos mais de perto o que não temos. Não poderiam ter construído mais caminhos que levassem à igualdade social?...

Pensavam que com os grandes edifícios, com lojas de grifes, o perigo seria mínimo, pois a segurança era total. Hoje a coisa já não é mais assim, já que assaltos fazem parte da rotina de um  cidadão.

CARTA FORA DO BARALHO

Na verdade a única coisa que sobrou foi a mudança da originalidade. Não podemos mais sair às ruas sem a preocupação de encontrar os ditadores de tendências de moda pelas esquinas. As crianças não brincam mais pelas calçadas, não soltam pipas, quase não jogam mais futebol e não sonham mais em serem craques da bola - estão ocupadas com outras atividades impostas pelos novos chefes das "comunidades".

SEM GALINHA COM QUIABO

Muita coisa mudou. Tenho saudade dos almoços de domingo com aquelas sagradas galinhas caipiras preparadas com quiabo. Lembro dos vizinhos que se reuniam para um churrasco ou largar conversa fora, e aos domingos, jogavam dominó ou sueca até tarde da noite. Hoje estão todos em suas casas com muros altos, em playgrounds, em condomínios fechados, com os "lanches rápidos", como se a vida tivesse que ser sorvida rapidamente antes que acabe.

ESPERANÇA

Enquanto houver o amanhã, haverá esperança. Espero que um dia todos tenham o direito aos seus quadrados. Nós, gente humilde, precisamos de nosso espaço, que, apesar de tudo, continua alegre e festeiro. Somos um povo que sempre buscou e encontrou em coisas aparentemente simples uma forma de ser feliz.

GENTE HUMILDE

http://www.youtube.com/watch?v=73Nl2uga8dc