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MARIANA LUTANDO PARA SOBREVIVER

(As fotos são da cidade de Barra Longa, do distrito de Mariana, que foi destruída pela tragédia)

A maior parte das barragens de terra na região da mina à céu aberto, em Mariana/MG, pertencente à mineradora Samarco, é do tipo barragem de enrocamento com núcleo de argila, de um material instável e pouco permeável (mesmo a fração granulométrica de argila dos sedimentos apresentar baixa porosidade), o que torna o solo constituinte muito dispersivo, mesmo contido com estacas e uma prancha de concreto. 

O rejeito da mineração é uma mistura heterogênea (com aparente homogeneização), de sedimentos arenosos grossos, argila e água ionizada, gerando um tipo de solo lamoso com alta erodibilidade e baixa resistência, o que poderia gerar uma possibilidade grande de rompimento. Não haveria a possibilidade de trocar o material constituinte das barragens, sendo utilizado o que já estava disponível no relevo local (material rochoso de origem metamórfica de baixo grau e sedimentos areno-argilosos). Além disso, houve um erro de projeto no cálculo da altura do nível 03 da barragem de Fundão e o volume de rejeito armazenado. 

Para uma possível solução, que levaria meses, talvez anos, seria fazer a dragagem parcial e por etapas das águas superficiais e do fundo do leito do Rio Doce até a sua foz no mar e seus afluentes e a remoção rápida (que já está sendo realizada) de toda a biota de espécies nativas do rio e de suas margens, além da medição constante da qualidade da água para saber se sempre será própria para o consumo humano e da vida faunística local. 

Como consequências do evento ocorrido, houve (e haverá) o assoreamento rápido (perto do local do rompimento) e lento (ao longo de todo o percurso até a foz no mar), do Rio Doce e seus afluentes, agravados com o clima seco que já estava na região antes da tragédia, o aumento brutal das correntes de turbidez das águas fluviais. Com o os 60 bilhões de litros de lama constituinte deste rejeito – os sedimentos mais grossos e lamosos ficaram depositados na região da tragédia, aumentando o volume de terra do relevo local e o material mais fino e leve está sendo carregado pelas águas do Rio Doce, reduzindo a zero a incidência de luz na água fluvial, matando todas as espécies da microfauna e flora nativas da região da bacia hidrográfica do rio, como algas, peixes e crustáceos, (havia, nas análises químicas feitas por especialistas, altas taxas de metais pesados para vida endêmica local, como mercúrio, cádmio, ferro, chumbo, zinco). Haverá um impacto significativo na biota marinha que reside nas praias constituem a foz do Rio Doce, no litoral do Espírito Santo, com os rejeitos finos que estão na água do mar, provocando mutações nocivas para a fauna e flora neo tônica. 

Como resultado final, houve uma mudança gigantesca em escala geológica-geotécnica dos tipos de solos residuais que constituem a paisagem na região da mina, bem como os que estavam no distrito de Bento Rodrigues, cidade Barra Longa, região de Mariana/MG, e de todos os tipos de solos constituintes do revelo fluvial do Rio Doce de origem sedimentar e metamórfica ao longo de todo o trajeto do rio que não serão possíveis com uma remediação ou recuperação imediata pela ação humana, mas sim, lenta e gradual pela ação da natureza. 

FAZENDO A SUA PARTE. 

Enquanto os governos discutem de quem é a culpa, a mobilização das igrejas, das associações e de diversas pessoas possibilita aos moradores que perderam parte de suas histórias aproximarem-se das instâncias de decisão e interferirem no futuro de uma cidade destruída pela grande tragédia. Uma sociedade só se tornará uma nação quando for capaz de responder aos desafios postos pelas tragédias causadas pelos homens, pois uma das grandes tarefas da democracia é fazer a união em defesa dos cidadãos. Quando a sociedade se mobilizar para que todos e cada um dos brasileiros tenham o devido respeito, será possível responder a esses desafios. Essa é a razão para o chamado feito pelas pessoas e aos diversos segmentos sociais que estão participando com esforço pela recuperação das cidades destruídas por mais uma tragédia. 

Texto: Luiz Paulo Gomes Martins

Geólogo e estudante de Oceanografia

Fotos: Anderson Fernandes

(https://www.facebook.com/andersonmsfernandes)

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